Baixar o áudio da notícia    Voltar 21/03/2018

ADOÇÃO: Apadrinhamento possibilita encontro entre criança e adulto mesmo sem processo de filiação

A adoção não é a única forma de tornar possível o carinho, a diversão, a educação e o aconchego para uma criança que está em um abrigo e que já tem mais de dez anos de idade. Existe uma opção para quem não está preparado para ser pai ou mãe, que é o Apadrinhamento Afetivo. Aqui em Brasília, é o Grupo Aconchego o responsável por fazer essa ponte entre o adulto e a criança e, assim, fazer surgir uma grande amizade entre eles.

Para ser um padrinho ou madrinha, é necessário ter mais de 21 anos e ser, pelo menos, dezesseis anos mais velho do que a criança apadrinhada. Isso porque o adulto pode oferecer para o adolescente uma vida fora do abrigo, onde eles assistam filmes, viajem e tenham um tempo de qualidade juntos.

“A gente entende que essas crianças e adolescentes precisam de uma pessoa de referência que seja de fora de uma instituição de acolhimento. Que é aquela pessoa que pode servir de mediador, seja no seu retorno à sua família de origem, da adoção, ou mesmo para quando completar 18 anos, para o seu desligamento. Então é uma pessoa de referência, que pode levar para casa, que pode frequentar o mesmo espaço do padrinho, que pode apresentar a cultura e educação”, explica a coordenadora do programa de apadrinhamento do Grupo Aconchego, Maria da Penha.

Mas o desejo de apadrinhar não é a única iniciativa necessária para se ter um afilhado. É necessário participar de um processo de habilitação que envolve algumas etapas como, por exemplo, as capacitações com profissionais da Vara da Infância e da Juventude. Além disso, os futuros padrinhos ou madrinhas também precisam assistir palestras e oficinas temáticas. Segundo Maria da Penha, as próprias crianças também são preparadas: são ouvidas e contam se desejam, ou não, serem apadrinhadas.

“A ideia é de que eles possam saber que esse vínculo com o padrinho e a madrinha é um vínculo de amizade. Não é adoção. A gente trabalha muito nessa perspectiva de que eles compreendam que esses padrinhos não irão adotá-los, mas sim vão concluir com eles um vínculo de amizade, de respeito e de compromisso.”

Viviane de Oliveira é uma publicitária de 28 anos que decidiu mudar a vida de alguém. Foi com esse desejo que ela entrou na vida do Matheus, que tem 16 anos.

Viviane participou dos encontros do Grupo Aconchego e esperou o momento certo para encontrar um amigo a quem ela pudesse ensinar. E não apenas isso: um amigo que também pudesse ensiná-la. Matheus agora é da família, vai aos almoços de domingo e já conhece todo mundo. Ele é querido lá dentro e sabe que pode contar com aquela amizade, explica Viviane.

“Você está realmente envolvido com outra vida. Então você sabe exatamente o que ele está passando, você participa ativamente da vida dele. No caso do Matheus, eu sei quando ele está indo para a escola e quando ele não está. Eu sei o que aconteceu na vida dele. Sei quando ele faz algo errado ou quando não faz. Então eu entendo o Matheus, eu posso ajudá-lo. E ele me ajuda porque eu também converso e divido minhas coisas com ele. Para ele saber como funcionam as coisas mesmo, as coisas da vida.”

Foto: Arquivo Pessoal

Se você deseja conhecer mais sobre o apadrinhamento afetivo e até se tornar um padrinho ou madrinha, acesse este link e preencha o formulário. Você pode, também, ir ao encontro anual do Grupo Aconchego, que vai acontecer no dia 7 de abril. A entrada é gratuita e os participantes podem tirar dúvidas sobre o tema.

Reportagem, Sara Rodrigues